sexta-feira, 5 de novembro de 2021

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Mais Bela Negra RS

https://www.maisbelanegrars.com/
Com uma grande programação os organizadores do Festival de Cultura Afro do Rio Grande do Sul No Parque do Chimarrão de Venâncio Aires/RS.
Acesse o link, veja a programação e participe.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Projeto Ousadia revela imagens da crueldade do regime escravocrata

https://www.facebook.com/ProjetoOusadia/  
Alceu C Gomes compartilhou uma publicação — com Ubirajara Toledo e outras 8 pessoas.
2 h
Quando cobramos nossos direitos como cidadãos negros. Somos criticados e julgados o país, estados e municipios tem uma divida com o povo negro deste país, por quinhentos anos de escravidão trabalho escravo. Olhem as fotos vai ter quem diga que é montagem nossos antepassados construiram este pais os estados e os municipios desmembrados de grandes porovincias novos municipios.
Mas la atras foi nossos antepassados que viviam abaixo de chicote trabalhando para os antepados desses que nos creticam hoje, Mostardas cidade afro açoriana temos oito comunidade quilombolas do norte até palmares do sul quem fez o trabalho no passado de graça foi nosso negro ou os seus antepasados que nos escrivisaram você que cretica nossa luta mostardas AFRO AÇORIANA que a paz de cristo esteja entre nós...

terça-feira, 8 de maio de 2018


Literatura Afro-Brasileira
Este post do programa extra-classe 207 apresenta uma entrevista com   Eduardo de Assis Duarte, professor da Faculdade de Letras da UFMG organizador de uma Antologia de 100 autores afro-brasileiros.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Enchi!


Enchi!

          Fui de novo no Jongo da Serrinha em Madureira, errijotq. Coisa ancestral e forte que acontece em forma de festa e samba de raiz sempre no último domingo do mês. Um bálsamo pro meu coração. A narrativa contida nas letras do que se canta ali traz um existencialismo interessante, romântico, coletivista, democrático preto e pouco ouvido por não negros nesta sociedade separatista. Faz falta a todos o que deixamos de saber da cultura negra. Nos empobrece a subjetividade. Voltei de lá nutrida de minha gente e, nesta hora em que meu coração é só tambor, escrevo.
      Quem mora na Zona Sul como eu tem clareza da territorialidade que aponta e demarca a triste potência do nosso racismo e o seu mapa étnico de exclusão não deixa dúvidas: a zona em que habito é lugar de branco e de ricos, enquanto a priori, na zona norte e nas favelas, vivem os pretos e pobres. Isso é apartheid, é isso? O que pensamos disto? Caralho! estou estupefata, que porra é essa? Socorro! Sou uma intelectual e quer sair de minha boca impropérios do fundo dos infernos. Palavrões em fila, querem saber que merda é essa. Onde estão os católicos, os evangélicos, os religiosos numa hora dessa? Os que gritam Om da Yoga, os que vão para índia, meditam em práticas orientais, onde estão os espiritualistas de plantão que não percebem que são mensageiros desse racismo do qual falo? É chocante que se vá à igreja, se comungue, que se realizem rituais judaicos e coisa e tal sem que essa fé sequer se lembre do racismo sistemático que essas famílias praticam há séculos. Como se crêssem que qualquer pecado, do racismo, do preconceito, da exclusão de qualquer ordem, que tais pecados são solventes em caridades, em dízimos, em hóstias.  Ledo engano. Aliás, tenho informações certeiras de que o inferno é implacável com racistas. Soube por fonte segura que queimam no fogo da eternidade punitiva e acabam todos pretos.
        Quero dizer que enchi o saco. Quero dizer que não sei falar de democracia sem falar do racismo. Que não admito mais grupos homogêneos só de héteros ou só de brancos... enfim. Não dá mais, estou escrevendo e apelando aos bons. Luther King nos advertiu do estrago que faz o silêncio dos bons. Se até nós pretos recebemos educação racista, o que será que não disseram aos brancos? Por favor, vasculhem a história. Lembre-se do nariz torcido dos seus pais quando você levou o amigo preto em casa ou aquele possível namorado ou namorada. Procurem nas últimas gerações e ramificações atuais da família se há algum negro inserido, transfigurado em cunhado, ou sobrinho. É grave. Escolas ricas não tem preto, podemos afirmar. E cuidado, para agora, durante essa leitura, você não se lembrar daquele único coleguinha negro da turma do seu filho. Porque, se só tem um, é exatamente quando a exceção confirma a regra. Sinceramente, o príncipe ou a princesa que você sonha pro seu filho ou sua filha, são negros? Há algum lugar para essa imagem no campo simbólico brasileiro? É permitido sonhar no desejo com um preto ou uma preta? Fora o escondido, o proibido?  A objetificação do corpo mais barato do mercado continua em ação. Estamos todos com a mão suja desse sangue, minha gente! Não acredito em democracia feita por racistas. Não me venha com argumentos de Sorbone, justificando seu nariz em pé, seu francês fluente, seu analfabetismo do mundo africano, mesmo sendo o povo constituinte dessa nação. É muita viagem pra Miami, meu Deus de céu! E não é só Portugal que fala português não, são sete países! Quantos você que conhece?
                Enchi! O pote esburrou. Se você quer um mundo melhor e a favor duma vida mais justa para o povo brasileiro, não dá mais para entrar no restaurante onde só tem brancos e não reparar nisso. É preciso constranger os clubes que têm uma plaquinha num banheiro reservado escrito Babás; é preciso ficar constrangido por estar numa festinha de criança portando uma escrava vestida de uniforme branco para cuidar do amiguinho do aniversariante enquanto a mãe toma champangne com os outros adultos. A escravidão acabou, alô alô. É feio. Tem criança no evento.  O que estamos ensinando à ela com essa cena? E por que a própria mãe ou o pai, ou dois não levam só eles sua criança à festinha, sem a babá? Quero abrir os olhos dos meus amigos, seguidores, leitores, meu queridíssimo público enfim. Uma das grandes “maestrias” da cultura da discriminação racial é justificar seus atos cruéis com algum argumento que os libere de culpa. Centrados no eurocentrismo, confiou-se no conteúdo teórico que apregoava que os negros eram uma sub-raça, como se não fôssemos humanos direito. Fôssemos quase. Tal fundamento fuleiríssimo foi ministrado com pitadas científicas, de modo que não se duvidou. Como resultado, alguns negros acreditaram realmente que eram inferiores, e os brancos, em sua maioria avassaladora até hoje se entendem como superiores. O resultado é essa senzala espalhada pelas calçadas, na fila dos hospitais públicos, nas filas do desemprego, nas cadeias. O retrato de um país dividido assumidamente entre área nobre e área da ralé sem vergonha de dos Anúncios que estampam: Seu ap na área nobre da cidade! (ó, tristeza).
                Estou procurando casa estarrecida com a expressão “3 quartos e dependências. Por que não são 4 quartos? Uma arquiteta amiga me explicou: “Quarto tem que ter 3 metros e a dependência, recebemos essas orientações pela faculdade, é de 1x80 a 2 metros e não precisa ter janela.” (que loucura, uma senzalinha em casa). Reparando mais, percebi em geral que o chuveiro do banheiro de empregada, é posto levemente em cima do vaso e jamais tem box. Quem ali se banhar, sabe que vai ter que enxugar o chão e a privada, todos os dias. São os requintes da crueldade escravagista cujas famílias exibem em suas salas de jantar altas esculturas e pinturas da última ceia de Cristo (ó, tristeza).
            Ontem, me vi banhada em lágrimas no meio do samba na Rua Compositor Silas de Oliveira. (Quem não conhece procure saber a obra desse compositor). Me senti em casa, no meio da romântica Madureira: cada um com sua moda, gente gorda, magra, homem, mulher, gays, sapatas, travestis, trans, cabe todo mundo, água no feijão que chegou mais um. Tudo que se cantava, Luis Carlos da Vila, Nei Lopes, Beto sem braço, Almir Guineto, Dona Ivone Lara, tudo era voz de uma gente que não é ouvida, gente silenciada. Mas não ali, ali é resistência, ali está garantido o grito, a maioria negra, e ninguém torce nariz pra branco não. Fiquei pensando, se ali, no meio do samba, estivesse uma moça loirinha, de olhos azuis, com uniforme de babá e um nenezinho preto no colo, o que pensaríamos? Teríamos pena da pobre babá? Oferecíamos à ela o nosso olhar de piedade aos moldes do que sentimos com a gata borralheira? Eu pergunto, se nos sinais de trânsito do Brasil houvesse uma criancinha loirinha pedindo esmola, não comoveria mais?
Enchi! Quero que arranquemos a venda que não deixa que enxerguemos a realidade cruel em que nos metemos trazendo até aqui a escravidão. Agora não passarão. Hoje Lucélia Santos não poderia ser escalada para viver a Escrava Isaura. Não passaria. Hoje estamos de olho e novela que se passava Bahia deixando o negro fora da trama principal causa estranheza antes da estreia. Não foi assim com Tieta e outras adaptações de Jorge Amado.  Hoje um apresentador de TV tem que pensar três vezes antes de se revelar racista, sob risco de perder o emprego; Hoje, cada vez mais mulheres negras estão falando em literatura e na música sobre sua vida, sua história, sua sexualidade, suas peculiaridades e não só outras vozes  falam por  nós; por conta das políticas de inclusão dos recentes governos que antecederam ao golpe, há uma leva de intelectuais negros produzindo pensamentos, narrativas, e a sociedade tem que se preparar para tanto.
Faz parte dessa preparação uma convocação aos humanistas de plantão, em especial os brancos gentes boa. Angela Davis é explícita no tema:” não basta não ser racista, é preciso ser anti-racista!”
Chega. Encheu! Enchemos! Os tapetes chiques da casa grande se confirmam insuficientes para guardar tantos séculos de sujeira, escrotidão e homicídios.
     Recentemente, (pasmem vcs), na porta de uma academia, uma senhora cujo marido é grande empresário, me abordou. Nos conhecíamos superficialmente:
Elisa, você é lá do Espírito Santo, né? Você ainda tem contato?
- Claro, minha família é de lá. Vou sempre...
- Ah, você não traz uma menina de lá pra mim não?
- Você quer uma menina, como assim?
- Uns doze, treze anos...
- Aí, que bacana, criança grande... Que bom. Você quer adotar, né?
- Nãao, não é isso. Eu quero uma pessoa assim quase mocinha...sabe? É que a minha filha me arrumou uma neta!!! O casamento deu xabu, já viu, né? Estão lá em casa. E eu preciso de uma menina para me ajudar a cuidar da minha neta, porque a mãe dela trabalha, e eu daria comida, casa, tudo direitinho, quartinho pra ela, né? Até estudava...
- Ah, você quer para trabalhar?
- É por isso que eu quero de longe. Porque aí ela vem morar, né? Que aí, se eu precisar sair tem alguém para ficar com a criança...
-Eu acho que isso não pode mais não.
- O que??!
- É lei. A OIT pode ir atrás de você. Você pode ser acusada de tráfico de pessoas. Eu não vou entrar nessa não.  Sou contra, sabe?
E ainda será considerado, de acordo com estatuto da criança e do adolescente, como trabalho infantil.
- Meu deus, Elisa, onde é que a gente vai parar? Corre para um lado é a lei das domésticas, do outro é negócio de trabalho infantil, assim não dá não. Onde é que isso vai parar?
- Na igualdade, minha senhora, vai parar na igualdade.
Enchi.
(Elisa Lucinda[1], Outono da metamorfose, 2O18)


[1] Elisa Lucinda dos Campos Gomes (Cariacica, 2 de fevereiro de 1958) é uma poetisa, jornalista, cantora e atriz brasileira. A artista foi uma das galardoadas com o Troféu Raça Negra 2010 em sua oitava edição, na categoria Teatro. Também foi premiada no cinema pelo filme A Última Estação, de Marco Curi, no qual protagoniza o personagem Cissa. A estreia do filme no Festival de Brasília de 2012. (Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Elisa_Lucinda)



terça-feira, 1 de maio de 2018

Herdeiros de Zumbi


Dissertação de Mestrado:  Herdeiros de Zumbi

Link: http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/1832/Cl%C3%A1udia%20Giovana%20Ferreira%20da%20Silva.pdf?sequence=1



de Cláudia Giovana Ferreira da Silva

terça-feira, 3 de abril de 2018

A morte de Winnie Madikizela

A morte de Winnie Madikizela-Mandela foi anunciada pela sua assistente pessoal, Zodwa Zwane. A ativista anti-apartheid, casada com o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela durante 38 anos, Winnie tinha 81 anos.
Nascida a 26 de setembro de 1936 em Bizana, na província do Cabo Oriental, Winnie começou a interessar-se pela política muito jovem, quando trabalhava como assistente social num hospital. Aos 22 anos, chamou a atenção de Nelson Mandela quando este a viu numa paragem de autocarro no Soweto. O romance começou quase se imediato e o casamento surgiu um ano depois.
O casal dedicou todas as suas forças à luta contra o apartheid, com a relação a sofrer as consequências desse empenho. "Eu estava casada com o ANC. Foi o melhor casamento que tive", diria, anos mais tarde.
Durante os 27 anos de detenção de Mandela, 18 dos quais na Robben Island, Winnie foi no entanto uma defensora incansável da sua libertação. Após a libertação de Mandela - ficou famosa a sua imagem de punho erguido ao lado do marido quando este saiu da prisão -, a sua defesa de métodos controversos e a sua ideologia disposta a sacrificar as leis entrou em choque com o discurso de união e reconciliação do marido e o casamento acabou em 1996, apesar de já estarem separados há quatro anos. Também o apreço que muitos na África do Sul e no mundo foi abalado.
Para Winnie Madikizela-Mandela, o fim do apartheid marcou o início dos seus problemas com a justiça que a mantiveram sob as luzes da ribalta, geralmente pelas piores razões.
Acusada de instigar à morte do ativista Stompie Seipei, encontrado degolado junto à sua casa no Soweto, foi condenada em 1991 pelo rapto e espancamento do rapaz de 14 anos, suspeito de ser um informador. A sua pena de seis anos de prisão foi reduzida e acabou por ter apenas de pagar uma multa.
Nos últimos anos, a sua relação com o ANC degradou-se. Chegava tarde aos comícios, criticava os companheiros e começou a ser vista como problemática. Em choque com Jacob Zuma, tornou-se apoiante do ex-líder da juventude do ANC Julius Malema e do seu partido radical de esquerda, o Combatentes da Liberdade Económica (EFF), cujos deputados costumam aparecer no Parlamento da África do Sul vestidos de fato-macaco vermelho e capacete de mineiro na cabeça.
África do Sul, 02 de abril de 2018
Helena Tecedeiro
Fonte: https://www.dn.pt/mundo/interior/morreu-a-ativista-anti-apartheid-winnie-mandela-9228825.html


quinta-feira, 15 de março de 2018

Marielle Franco a Luta continua


Terrorismo no Brasil

Terrorismo no Brasil é um título que uso pois não sei como qualificar de outra maneira o brutal assassinato da Vereador Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Ela uma jovem mulher negra militante social, filiada ao PSol. Não a conhecia, entretanto temos a informação de que era uma voz combatente em defesa dos direitos das mulheres negras e chegou a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro respaldada por 46 mil votos. Certamente seus algozes não foram os que puxaram os gatilhos das armas que lhe ceifaram a vida, motivo pelo qual se faz necessária muita pressão para que se encontre os verdadeiros culpados. Marielle pode ter tombado, mas a sua, a nossa luta está cada vez mais viva.
Ps. Minha solidariedade a todas pessoas enlutadas pela sua morte.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Eu não sou seu negro

NOVEMBRO NEGRO UFRGS

Novembro Negro UFRGS

Mais um ano, novas histórias, outras ações, mas sempre a mesma luta por dias melhores e mais igualitários na sociedade gaúcha. No Link acima poderão acompanhar algumas das ações que estão sendo desenvolvidas na academia.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

É constitucional a aplicação de cotas raciais em concursos públicos em nosso país

Muitas vezes nos deparamos com pessoas que acreditam não haver mais conflitos étnico-raciais, ou seja, situações de preconceito racial. Algumas utilizam-se de argumentos biológicos para afirmar que não existem raças, afinal de contas somos todos pertencentes a uma única raça, a humana. Tal afirmação seria facilmente derrubada com as perguntas: de onde surgiu o termo racismo? Seria um sonho desvairado e alucinado de alguma pessoa com demência? Quem inventou está expressão o fez em cima de algo que impensável, inexistente? Certamente que não. Este termo surgiu de inúmeras situações problemas, vivenciadas por pessoas que ousaram bradar para a sociedade tais aberrações. Nelson Mandela, Martin Luther King, Cora Coralina, Milton de Almeida Santos, Abdias do Nascimento, Oliveira Silveira, Bezerra da Silva, Fundo de Quintal e tantos outros que ficaram no anonimato dentro e fora do nosso país.
No dia 8 de junho do corrente ano o STF decidiu que é constitucional a aplicação de cotas raciais em concursos públicos em nosso país, validando uma lei de 2014 que obriga órgãos públicos federais a reservarem 20% das vagas para pessoas negras (Correio do Povo, 09/06/2017 p. 5) Na mesma reportagem versa sobre a manifestação do ministro Luís Roberto Barroso que se desculpou por ter chamado o ex-ministro Joaquim Barbosa de “negro de primeira linha”, afirmado ter tido outra intenção, porem ter sido infeliz no modo de sua manifestação. Nos apartes da colunista Taline Oppitz na mesma página, a mesma diz, “o racismo no Brasil, infelizmente, segue sendo praticado em uma de suas piores formas, a velada, escondido sob o discurso de igualdade”. Isto dito, tornasse suficiente argumento para a necessidade de cursos, oficinas, palestras com especialistas sobre a temática afro-brasileira. 
Pautar esta problemática nos mais variados espaços sociais é fundamental para aqueles que realmente desejam a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O preconceito não existe apenas na cabeça dos que o praticam, mais no sentimento de tristeza e depressão daquelas do qual foram vítimas.

Nosso foco, pautar, sensibilizar as pessoas para a possibilidade de um novo olhar e o reconhecimento das pessoas negras, como pessoas portadoras de direitos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Comunidade Quilombola Unidos do Lajeado é certificada

Lajeado - No imaginário social, mencionar quilombos pode soar apenas como algo do período do Brasil Imperial, quando agrupamentos de escravizados se refugiavam em zonas canavieiras no século 18. No entanto, destacar a existência das comunidades quilombolas e sua importância na formação identitária de seus moradores é um dos objetivos da certificação desses espaços, principalmente onde os negros são minoria - caso do Vale do Taquari.

Foi isso que aproximadamente 20 famílias, que moram em uma área entre os bairros Santo Antônio e Morro 25, conquistaram no último sábado (18). O grupo recebeu um documento concedido pela Fundação Cultural Palmares, por meio do Ministério da Cultura (MinC), que os certifica como remanescentes das comunidades dos quilombos. A ação contou com o apoio e organização da Emater/RS-Ascar de Lajeado, que mediou os procedimentos a pedido do MinC, já que tem forte atuação com povos tradicionais.

Trata-se, portanto, de uma certidão de auto reconhecimento: ela tem efeitos culturais e legais, que garantem acesso a políticas públicas do Governo Federal, como explica a coordenadora de Assistência Técnica e Agricultura Familiar Quilombola da Emater, Regina da Silva Miranda. Para ela, é necessário pensar o quilombo a partir de práticas de resistência e experiência que constroem uma trajetória comum.

Ela diz que, embora, para alguns, o espaço possa transparecer uma ideia de isolamento étnico, não é assim que as pessoas ali se percebem. "Os quilombos continuam sendo um horizonte de resistência, pois, apesar da abolição da escravatura, ainda há uma forte reprodução da discriminação sobre os negros. Precisamos reconhecer que isso existe para poder corrigir este cenário. Então, estas comunidades ainda são formas de isolamento e resistência pela opressão que essas pessoas vivem numa cidade em que a maioria não é negra."

Políticas públicas de acesso à terra, inclusão produtiva e desenvolvimento local, além de tarifa social de energia elétrica, por exemplo, são alguns dos direitos conquistados com a certificação.

Agrupamento

Mariane Juliana da Silva (27) é diarista, mãe de dois filhos _ um menino de 10 e uma menina de 3 anos. O quilombo é onde se sente aceita e à vontade para circular, o que não acontece em todo lugar.

Entre as suas preocupações, além da preservação da cultura, estão as condições de vida de seus vizinhos. A certificação lhe traz a esperança de dias melhores. "Aqui era uma comunidade perdida. Aos poucos, estamos encontrando nosso caminho e nossa identidade."

Antes da entrega da certificação, o grupo de cerca de 30 pessoas conversou sobre a origem da comunidade. Ninguém sabia ao certo como ela tinha surgido. Ainda assim, a troca de experiência e histórias contadas eram semelhantes às de outro agrupamento que participou do encontro, o Quilombo São Roque, de Arroio do Meio.

O grupo de cerca de 80 pessoas vive no distrito de Palmas, a quase 600 metros de altitude. Descendentes de escravos africanos, eles também convivem com costumes atuais, mas ainda preservam tradições de seus antepassados. As duas comunidades irão promover visitas entre as áreas para fortalecer a cultura ancestral. Uma oficina para escrever a história do Unidos do Lajeado está nos planos para os próximos meses.

Projeto Vida em Construção

Desde 2011, um grupo de voluntárias trabalha em parceria com os moradores para promover mais qualidade de vida. Foi a Irmã Dorildes Biovesan (76) quem levou o projeto Vida em Construção à comunidade. "Começou em outros bairros, que tinham áreas em situação de vulnerabilidade social, como o Igrejinha e Conservas." Antes de conseguir doações com empresas da região para erguer uma casa que serve de templo e espaço para oficina, o trabalho de costura e patchwork era feito na rua, em frente às casas.

Marine é uma das pessoas que relata como o projeto foi importante para guinar sua mudança de vida e até desenvolver mais pertencimento com o quilombo. As voluntárias se emocionam. "Esse registro vai trazer mais identificação e estimulá-los ainda mais", comemora Irmã Dorildes.

A gente explica

A palavra quilombo tem origem bantu, que designa uma instituição política e militar que envolveu várias regiões da África bantu, conforme o antropólogo brasileiro Kabengele Munanga. A definição designa uma área geográfica e um complexo cultural da África Negra. Os primeiros contingentes de negros escravos trazidos para o continente americano eram oriundos de povos dessa região.

Para o antropólogo, a presença dos negros buntus e sua liderança nos quilombos são inegáveis, porém, seu caráter seria transcultural já que reunia negros de outras regiões africanas e demais indivíduos marginalizados pelo regime colonialista.

Fonte: Emater/RS

Crédito da notícia: Luísa Schardong 
Última atualização: 20 de fevereiro de 2017 às 08h13min 


Leia mais no O Informativo do Vale: http://www.informativo.com.br/site/noticia/visualizar/id/87379/?Comunidade-Quilombola-Unidos-do-Lajeado-e-certificada-pelo-MinC.html#ixzz4ZEHAQNEU 
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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

2016 A luta pela consciencia negra é cada vez mais necessária

Os acontecimentos deste ano de 2016 nos mostram que cada vez mais a luta em defeza da dignidade do povo negro é extremamente necessária. Aqui no Vale do Taquari, não tivemos na Semana Nacional da Consciência Negra (14 a 20 de novembro), manifestações ou encontros referntes a organização negra. Nossa capital do estado do RS suspendeu a Marcha de Zumbi por falta de recursos. O governo eleito dos EUA se mostra preconceituoso contra os imigrantes e certamente o será em relação aos países emergentes e/ou pobres. No Planalto Central o "presidente" do Brasil reune o conselho economico e social, aumentando a voz dos empresários e simultaneamente diminuiu a dos movimentos sociais. Assim lembro Chico Buarque de Holanda e sua música "Cálice" onde pedia "Pai, afasta de mim este cálice, afaste de mim este cálice" ..."esta palavra presa na garganta".
Então povo brasileiro brade contra o preconceito contra estes governos que trabalham para calar as nossas vozes.